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CRP-RJ participa de audiência pública na Alerj sobre hiperexploração do trabalho, saúde mental e o fim da escala 6x1
Data de Publicação: 28 de maio de 2026
No dia 7 de maio de 2026, o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) esteve presente na audiência pública realizada pela Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A audiência teve como tema central a "Hiperexploração da Classe Trabalhadora: Escala 6X1, Assédios e Adoecimento Mental no Local de Trabalho". O CRP-RJ foi convidado a compor a mesa de debates para colaborar com a pauta, sendo representado pelo Conselheiro Tesoureiro e coordenador da Comissão Especial de Psicologia e Trabalho, Jorge Antonio Tavares Peixoto (CRP 05/44215).
Em sua fala, Jorge Peixoto destacou a gravidade do cenário atual, ressaltando que, apenas no ano de 2025, o Brasil registrou cerca de 546 mil afastamentos do trabalho motivados por transtornos mentais e comportamentais, como quadros de ansiedade e depressão. O conselheiro enfatizou que a própria atividade laboral contemporânea tem se tornado adoecedora e que a saúde mental do trabalhador não pode, de forma alguma, ser considerada uma variável secundária. O grande destaque de sua intervenção foi uma profunda reflexão sobre o uso do tempo. Ele pontuou que o maior valor da nossa vida e da existência é o tempo, e não o dinheiro. "É como se fosse uma conta bancária que você nunca vai poder depositar, mas todo dia você tira e você nem sabe o saldo", ilustrou Jorge. Ele defendeu a necessidade urgente de desnaturalizar a ideia de vendermos nosso tempo de forma tão barata na forma de salário, lembrando que o trabalho está garantido no artigo 6º da Constituição como um direito humano e fundamental, sendo essencial que o trabalhador tenha acesso a uma vida digna.
A audiência também contou com o alerta grave sobre os danos gerados pelas atuais formas de contratação, destacando a chamada "pejotização" que representa o pior estágio em que a classe trabalhadora se encontra hoje. Esse modelo ao qual o trabalhador é forçado a atuar através de um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) em vez do regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), nega absolutamente todos os direitos trabalhistas. Um dos exemplos graves citados foi de trabalhadores da área da saúde, onde os profissionais ficam sem garantia de aposentadoria, férias, piso salarial ou reajustes anuais mediados por sindicatos. A pejotização atrelada à uberização (motoristas por aplicativos que não possuem carteira assinada nem CNPJ) é o extremo do processo de precarização impulsionado pelos ataques aos direitos da classe trabalhadora, conforme sinalizado na audiência pública.
A participação do CRP-RJ neste espaço reforça que a luta contra a hiperexploração ultrapassa a pauta puramente econômica, sendo uma questão urgente de defesa dos direitos humanos. Para a Psicologia, debater o fim da escala 6x1 e as condições laborais contemporâneas é fundamental, afinal, a saúde mental é a base para uma vida digna e não pode, sob nenhuma hipótese, ser reduzida a uma variável secundária nas relações de emprego
Diante de um cenário em que o próprio trabalho tem se tornado uma fonte de adoecimento, o CRP-RJ defende que assegurar tempo, descanso e o fim da precarização é o princípio essencial para garantir a dignidade humana, o desenvolvimento pleno e a preservação da saúde integral da classe trabalhadora.